PAIS (POLI)VALENTES: uma jornada de autodescoberta e crescimento pessoal
Por Equipe Global Mentoring Group· atualizado em
v eA polivalência parental não é uma competência que se adquire num piscar de olhos com a chegada de
bebê no seio familiar ou na adoção de uma criança. É uma longa jornada que está atrelada a um projeto de
educação que se constrói na prática ou _até antes da chegada de um novo membro na famíli_a.
Ser polivalente não significa fazer de tudo um pouco, isso seria como fazer de tudo e ao mesmo tempo fazer nada por completo… a polivalência é algo que se persegue ao longo de toda a trajetória educacional das crianças. Não é um caminho, simplesmente! É uma jornada, com bifurcações, desvios, retornos, paradas estratégicas, estudo de novas rotas e por ai vai!
A trilha da parentalidade, frequentemente, evoca a imagem de um equilibrista experiente, capaz de manejar diversos pratos girando-os em diferentes varas. Entre trabalho, responsabilidades domésticas, cuidado com os filhos e a busca por tempo para si mesmo, o desafio de conciliar tantas demandas pode ser extenuante. E quando alguns “pratos” caem no caminho, a culpa e a frustração podem tomar conta, obscurecendo a realidade complexa que envolve a polivalência parental.
Além disso, não podemos esperar que os pais (ou qualquer pessoa encarregada de educar as crianças) sejam capazes, como por um passe de mágica, de transcender as limitações impostas por suas próprias experiências educacionais em casa. Apesar disso, a incorporação do modelo de educação que receberam é um fator determinante e fundante de suas práticas educativas para com seus filhos, o que não poderia ser diferente!
Costumo dizer que ninguém é pai e mãe antes de sê-los! Sendo assim, não é por um passe de mágica que eles se tornarão polivalentes, geniais, competentes e versados em maneiras eficazes de educar seus filhos de forma diferente das que foram criados. No entanto… a maioria é promovida à posição de TIMONEIRO, sem ter experiência, sem habilidades para navegação em ¨águas antes não navegadas¨.
A polivalência requerida na parentalidade não é algo instantâneo, mas sim uma jornada, um processo de aquisição gradual de habilidades e competências que, além de implicar na construção de uma educação infantil mais assertiva, responsável e de qualidade, também requer a revisão e a identificação de crenças, autoconhecimento, conexão e autocompaixão com a educação que tivemos dos nossos pais, identificação e desenvolvimento de habilidades parentais para que possamos nos tornar menos vulneráveis na nossa missão como educadores.
A parentalidade envolve nutrir, educar, cuidar e fornecer apoio emocional aos filhos ao longo de suas vidas. Uma jornada complexa e desafiadora que requer uma ampla gama de habilidades e competências, que vão desde aprender a lidar com as necessidades e demandas dos filhos em diferentes estágios de desenvolvimento, como também requer autoconhecimento, reflexão sobre nossas próprias experiências como filhos, e a disposição de revisar e ajustar nossas próprias crenças e valores, afinal a falta de exemplos positivos de parentalidade em suas próprias vidas, deixaram lacunas na nossa educação.
Podemos ainda, acrescer a análise da parentalidade polivalente, a realidade e as exigência de uma educação voltada para os dias atuais. A sociedade de hoje é significativamente diferente daquela em que muitos pais foram criados. Mudanças tecnológicas, avanços na comunicação, transformações econômicas, culturais e sociais têm impactado profundamente a forma como vivemos, trabalhamos e educamos nossos filhos. Alguns desafios estão diante dos nossos olhos: a ubiquidade (tecnológica, das redes sociais, da informação, da comunicação, dos objetos e dos ambientes) tornou nossas relações ¨móveis¨, nossos encontros possíveis em qualquer parte do planeta, a busca de informações na palma da mão, a nossa presença na rede, enfim… Não há uma só esfera da sociedade que não tenha sido afetada, portanto, deparamos com novas possibilidades de interação, ensino e aprendizagem.
VOLTEMOS AOS PRATOS… quantos já caíram até aqui?
Voltemos agora para a imagem do equilibrista experiente, uma metáfora tão pertinente para descrever a complexa jornada da parentalidade polivalente. Assim como o equilibrista habilidoso mantém múltiplos pratos girando em diferentes varas, os pais encaram o desafio de equilibrar uma miríade de demandas em suas vidas diárias.
Entre os compromissos profissionais, as responsabilidades domésticas, o cuidado com os filhos e a busca por um momento para si mesmos, os pais frequentemente se veem malabarizando uma série de obrigações e expectativas.
É um delicado equilíbrio que pode ser exaustivo, e quando alguns “pratos” inevitavelmente caem, sentimentos de culpa e frustração podem surgir. Daí a necessidade de se reconhecer que a parentalidade polivalente é uma tarefa desafiadora e que é normal enfrentar obstáculos ao longo do caminho. Ninguém é imune a isso, e é natural que, em determinados momentos, alguns aspectos da vida dos pais sejam priorizados em detrimento de outros, e normal não conseguir atender a todas as necessidades dos filhos ou não poder estar presente tanto quanto gostariam devido a obrigações profissionais.
A culpa muitas vezes surge quando os pais sentem que estão falhando em suas responsabilidades ou percebem que estão sacrificando tempo com a família em prol do trabalho, ou vice-versa. Esses sentimentos podem ser intensificados pelas expectativas sociais e pressões autoimpostas de serem pais “perfeitos”.
No entanto, é importante entender que é impossível alcançar a perfeição e que os sentimentos de culpa podem ser prejudiciais ao bem-estar emocional dos pais. Ao invés de se concentrar na culpa, os pais podem se beneficiar ao praticar a autocompaixão, reconhecendo que estão fazendo o melhor possível com os recursos e circunstâncias disponíveis e, por que não, precisam de ajuda!
Sentirem-se culpados e frustrados não são sentimentos construtivos para resolver esses desafios. Em vez disso, os pais podem se beneficiar ao buscar apoio, a fim de encontrar maneiras eficazes de lidar com as múltiplas demandas da parentalidade.
A comunicação aberta com o parceiro, familiares ou amigos sobre os desafios enfrentados e a busca de apoio mútuo para enfrentar os desafios da parentalidade é uma alternativa generosa que os pais devem abraçar. Às vezes, ter uma rede de apoio sólida pode ajudar os pais a lidar melhor com momentos de estresse e encontrar soluções para equilibrar as múltiplas demandas da vida.
Cursos e mentoria podem ser recursos extremamente úteis para os pais que buscam aprimorar suas habilidades e enfrentar os desafios da parentalidade polivalente. Eles fornecem informações valiosas, orientação e a oportunidade de conectar-se com outros pais que enfrentam desafios semelhantes.
Por fim, é vital lembrar que é saudável e necessário reservar um tempo para si mesmo, para descansar e recarregar as energias. Isso pode ajudar os pais a se manterem equilibrados e a enfrentar melhor os desafios da parentalidade polivalente.
E se os ¨pratos¨ continuarem a cair?
Os pratos sempre cairão!!
Quando nos encontramos em situações desafiadoras e sentimos que estamos equilibrando muitos pratos ao mesmo tempo, é importante buscar estratégias para lidar com o estresse e a sobrecarga. Saiba que é natural que alguns contratempos ocorram, mas é importante aprender a seguir em frente com resiliência. Seguem algumas dicas para evitar que “tantos pratos caiam”:
Priorizar as tarefas mais importantes – nem todos os pratos têm a mesma importância
Gerenciar o tempo de forma eficaz – estabeleça uma rotina e um cronograma realista para completar suas tarefas. Organize seu tempo de forma eficiente, reservando momentos específicos para diferentes atividades
Delegar responsabilidades sempre que possível - não hesite em pedir ajuda quando necessário. Delegue responsabilidades para outras pessoas quando possível, distribuindo a carga de trabalho e permitindo que você se concentre em suas principais responsabilidades. São muitos pratos para você dar conta sozinho
Estabelecer limites saudáveis e saber dizer não - não se sobrecarregue com compromissos excessivos ou solicitações que não sejam essenciais para suas metas e bem-estar
Priorizar o autocuidado e reservar tempo para si mesmo
Ser flexível e estar aberto a ajustes - nem sempre as coisas saem como planejado, e a capacidade de se adaptar a mudanças é essencial para lidar com os imprevisto
Buscar apoio emocional quando necessário – amigos, familiares ou profissionais
Por fim, é importante você considerar:
1. O primeiro passo para se tornar pais polivalentes: é o reconhecimento da necessidade de desenvolver uma gama diversificada de habilidades e competências para lidar com os diversos aspectos da parentalidade.
Sugestões para:
Autoconhecimento e desenvolvimento pessoal:
Reflita sobre suas capacidades e limitações
- Faça um plano de aprendizado
- Pratique a autocompaixão
Comunicação e escuta ativa:
- Dialogue com seus filhos
- Seja honesto e transparente
- Crie um ambiente de diálogo aberto e seguro
Flexibilidade e adaptabilidade:
- Esteja aberto a novas ideias e métodos de educação
- Seja paciente e compreensivo
- Esteja disposto a mudar de ideia
Trabalho em equipe e colaboração:
- Divida as responsabilidades com seu parceiro/parceira
- Envolva seus filhos nas tarefas domésticas
- Busque apoio da família e amigos
Cultivar uma atitude positiva:
- Encontre alegria nas pequenas coisas
- Foque nos pontos fortes dos seus filhos
- Acredite em seus filhos
Ser pai/mãe é uma jornada de aprendizado contínuo. Não há pais perfeitos,
mas todos podemos nos esforçar para ser os melhores pais que
podemos ser para nossos filhos
2. Por outro lado, o segundo caminho envolve um profundo autoexame para reconhecer e compreender o modelo parental que trazem do passado, moldado pela educação que receberam enquanto filhos. Este processo de reflexão permite uma avaliação crítica dos padrões e valores herdados, identificando tanto as práticas que desejam incorporar em sua própria parentalidade quanto aquelas que preferem modificar ou até mesmo abandonar
Sugestões para:
Autoexame para reavaliar seu modelo parental:
Relembrar sua infância:
- Memórias positivas
- Memórias desafiadoras
Analisar a influência dos seus pais
Avaliar seus próprios valores e crenças
Buscar ferramentas de autoconhecimento
- Livros e artigos sobre parentalidade
- Grupos de mentoria e cursos sobre parentalidade
- Terapia familiar
Dialogar com seu parceiro/parceira:
- Compartilhar suas reflexões
Conversem sobre seus valores, crenças e expectativas:
- Criar um plano parental conjunto
- Ser flexível e aberto a mudanças
Este é um processo contínuo que requer autoconhecimento, honestidade e flexibilidade.
Ao se dedicar a essa jornada de autodescoberta, você estará melhor preparado para
criar um ambiente familiar mais saudável e acolhedor para seus filhos
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