Como revisar a sua sessão de mentoria em 10 minutos
Por Claudio Brito· atualizado em
A sessão acabou. O mentorado agradeceu, você fechou a chamada e já está pensando no próximo compromisso. Foi uma boa sessão? Provavelmente você tem uma impressão. Mas impressão não é o mesmo que saber o que funcionou, o que faltou e o que fazer diferente da próxima vez.
Quem toca um instrumento grava o ensaio e escuta depois. Quem joga revê o jogo. Na mentoria, quase ninguém revisa a própria sessão, e é por isso que tantos mentores repetem por anos os mesmos hábitos, bons e ruins, sem perceber.
Este artigo traz um jeito simples de fazer essa revisão em 10 minutos, logo depois da sessão. No fim, mostro como pedir uma segunda leitura, feita por IA, de graça.
Por que revisar logo depois
A memória de uma conversa se desfaz rápido. Em poucas horas, sobra o resumo: “foi bom”, “ele estava travado”, “acho que ajudei”. Somem os detalhes que importam, como a pergunta que você não fez, o momento em que interrompeu ou a frase que mudou o rumo da conversa.
Por isso, a revisão funciona melhor nos minutos seguintes à sessão, com as suas anotações ainda abertas. Não precisa de formulário nem de software. Precisa de 10 minutos e de cinco perguntas honestas.
As cinco perguntas da revisão
As perguntas seguem o roteiro dos 4Cs da mentoria: Conexão, Contrato, Condução e Conclusão. A quinta pergunta transforma o que você notou em uma mudança concreta.
1. Conexão: o mentorado se sentiu ouvido?
Lembre os primeiros minutos. Você perguntou como a pessoa chegava e esperou a resposta inteira? Ou já entrou no assunto que você tinha planejado? Um bom sinal é o mentorado trazer cedo um tema delicado. Isso costuma mostrar que ele confia no espaço.
2. Contrato: estava claro o que ele queria desta sessão?
Muitas sessões andam em círculos porque ninguém combinou o que seria um bom resultado para aquele encontro. Pergunte a si mesmo: eu sei dizer, numa frase, o que o mentorado queria levar desta conversa? E foi ele quem disse, ou fui eu que supus?
3. Condução: quem falou mais, e quem decidiu?
Esta é a pergunta que mais incomoda, e a que mais ensina. Pense em dois pontos:
- Quem ocupou o tempo. Se você passou boa parte da sessão contando a sua experiência, o mentorado passou esse tempo ouvindo, e não pensando.
- De quem foi a decisão. Quando o mentor diz “no seu lugar, eu faria assim”, ele toma a decisão pela pessoa. Ela pode até concordar na hora, mas quem não decide raramente se compromete.
Vale também lembrar algum momento em que o mentorado disse algo importante e você seguiu em frente. Às vezes a frase mais valiosa da sessão é a que ficou sem uma pergunta de volta.
4. Conclusão: ele saiu com uma próxima ação e uma data?
Uma sessão termina bem quando o mentorado sabe o que vai fazer e quando. O ideal é que ele mesmo diga a ação e a data, e não que você dite. “Saio com bastante coisa” é simpático, mas não é um combinado.
5. Uma frase: o que eu diria diferente?
Feche a revisão escrevendo uma frase que você poderia ter dito num momento da sessão. Não uma lista de defeitos: uma frase. Ela vira o seu treino para o próximo encontro.
Um exemplo comentado
Para mostrar a revisão funcionando, veja um trecho de uma sessão fictícia, criada para este artigo. O Flávio é mentor. A Bia coordena uma equipe de sete pessoas e quer aprender a delegar. É a segunda sessão do processo.
Bia: O Caio, do meu time, entregou o relatório mensal com erro. Eu não tinha tempo de explicar, então refiz. E aí atrasou o resto.
Flávio: Isso é muito comum. Quando eu era gerente, eu fazia exatamente a mesma coisa. Comecei a fazer reunião de quinze minutos toda segunda, com uma planilha de tarefas, e em dois meses a equipe andava sozinha.
Bia: Uso planilha, mas o problema não é bem organizar. É que eu não confio que vão fazer do jeito certo.
Flávio: Então o que você precisa é de um padrão. Faz um modelo do relatório e passa para o Caio.
Bia: (pausa) Acho que o meu medo é a diretoria achar que eu não dou conta da equipe.
Flávio: Mas você dá conta, você é muito competente. Então, vamos lá: modelo do relatório, reunião de quinze minutos e devolver quando errar. Faz sentido?
Bia: Faz. Vou tentar.
Agora, as cinco perguntas aplicadas a esse trecho:
- Conexão. No começo da sessão completa, o Flávio acolheu bem e fez uma boa pergunta aberta (“O que você sentiu na hora em que decidiu refazer?”). A Bia trouxe um tema sensível, e isso é um bom sinal.
- Contrato. Não ficou claro o que a Bia queria levar da sessão. O Flávio supôs que era um método de organização, mas ela mesma disse que o problema não era organizar.
- Condução. O Flávio ocupou o espaço com a própria história e entregou a solução pronta. Quando a Bia trouxe o ponto mais importante, o medo da diretoria, ele respondeu com um elogio e voltou ao plano dele.
- Conclusão. “Vou tentar” não é um combinado. Ela saiu sem dizer qual seria a primeira ação, nem quando.
- Uma frase. No lugar do elogio, o Flávio poderia ter dito: “O que te faz pensar que a diretoria veria isso como falta de capacidade?”
Repare que nada disso exige um especialista olhando por cima do ombro. Exige parar 10 minutos e olhar com honestidade.
Quando a sua própria revisão não basta
Revisar a própria sessão tem um limite: quem conduziu a conversa tende a lembrar dela do jeito que gostaria que ela tivesse sido. Pontos cegos são cegos justamente porque não os vemos sozinhos. É por isso que, em várias profissões que lidam com pessoas, existe a figura de alguém que relê o trabalho com outros olhos.
Uma segunda leitura ajuda a enxergar o que escapou. Ela pode vir de um colega ou de um supervisor, e agora também pode vir de uma ferramenta.
Uma segunda leitura, feita por IA
O MentorMind é a ferramenta da Global Mentoring Group que faz uma leitura da sua sessão. Ele agora está aberto para qualquer pessoa com conta gratuita na GMG.
Funciona assim: você descreve uma sessão de mentoria que conduziu, ou cola a transcrição. A IA devolve uma leitura competência por competência, segundo o padrão de competências do mentor que a GMG usa. Para cada uma, ela diz se apareceu bem, apareceu pouco ou não apareceu. Mostra também o momento da conversa, como aquilo pode ter sido percebido pelo mentorado, o que ajustar e uma frase que você poderia ter dito. No fim, vêm três prioridades para a próxima sessão. Cada ponto a desenvolver já traz a aula indicada para você estudar.
Alguns cuidados importantes:
- Sem nomes, ou com autorização do mentorado. Antes de colar a sessão, tire nomes, empresas e qualquer dado que identifique a pessoa, ou use o texto só com a autorização dela.
- É uma leitura de treino feita por IA. Não é avaliação de credencial, não é nota e não substitui o seu julgamento. Use como uma segunda opinião para treinar o seu olhar.
- O texto da sua sessão não fica guardado. Ele é enviado para a IA fazer a leitura, que é operada pela Anthropic, nos Estados Unidos.
- Não é ferramenta para avaliar a saúde de ninguém. O MentorMind apoia o seu trabalho como mentor. Se o seu mentorado estiver em sofrimento intenso, encaminhe-o a um profissional de saúde.
Com a conta gratuita, você faz 2 leituras por mês (no máximo 1 por dia). Com o Passaporte Vitalício, são 20 por mês.
Fazer a minha primeira leitura no MentorMind
Se você ainda não tem conta, ela é criada de graça no mesmo caminho.
Para começar hoje
Na sua próxima sessão, reserve 10 minutos logo depois. Abra as suas anotações e responda às cinco perguntas: conexão, contrato, condução, conclusão e uma frase que você diria diferente. Depois, se quiser, peça a segunda leitura e compare com a sua. Entre o que você viu e o que a leitura apontou, quase sempre aparece o próximo passo do seu crescimento como mentor.