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Te pedem conselho toda semana? Isso tem nome

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Todo mundo conhece alguém assim. A pessoa que o colega procura antes de pedir demissão. A que o ex-estagiário liga quando recebe a primeira proposta de gerência. A que, no almoço de família, acaba ouvindo o sobrinho falar da faculdade por uma hora. Talvez essa pessoa seja você.

Se for, este artigo é sobre uma coisa que você provavelmente nunca parou para olhar: o que está por trás desses pedidos, e o que você quer fazer com isso.

Ninguém pede conselho a qualquer um

Pense na última vez que alguém te procurou para pedir orientação. Essa pessoa tinha outras opções: o chefe, um amigo, a internet. Ela escolheu você.

Gente faz isso por três motivos, quase sempre juntos. Você já passou pelo que ela está passando. Você explica sem fazer a pessoa se sentir pequena. E você ouve antes de responder. Repare que nenhum desses motivos é cargo ou diploma. São coisas que se acumulam com anos de trabalho e que, justamente por isso, a gente para de enxergar.

O que você faz nessas conversas

Quando alguém te pede um conselho e sai da conversa sabendo o que fazer, aconteceu mais do que uma conversa. Você entendeu o problema da pessoa, traduziu a sua experiência para a situação dela e ajudou a escolher um próximo passo.

Isso tem nome: é mentoria. Hoje ela acontece sem combinado, sem começo nem fim, e muitas vezes sem que a pessoa volte para contar o que deu certo. Mas o núcleo já está lá.

Não estou dizendo que você precisa virar mentor. Estou dizendo que a sua experiência já está sendo usada, toda semana, por outras pessoas. A pergunta que vale fazer é outra.

A pergunta que quase ninguém faz

Depois de 15, 20 ou 30 anos de carreira, muita gente sente que o trabalho continua bom, mas já não diz tudo. O próximo cargo, o próximo projeto, o próximo carro: cada conquista empolga por um tempo e depois vira rotina. Os psicólogos chamam isso de adaptação hedônica, e ela acontece com todo mundo.

O que não se desgasta assim é saber por que você faz o que faz. E é curioso: quando as pessoas param para escrever o próprio propósito, muitas descobrem que ele aparece justamente nessas conversas de corredor. Na hora em que alguém sai melhor do que entrou porque falou com você.

Por isso a pergunta não é “devo ser mentor?”. É: o que eu quero que a minha experiência faça daqui para frente?

Um exercício de 20 minutos

Eu uso com os meus mentorados um exercício simples para responder a essa pergunta. Chama-se Vida Extraordinária. Você lista os 10 itens da vida que gostaria de viver, separa o que é gosto do que é propósito e chega a uma frase em três partes: um verbo, para quem e através de quê.

A minha, por exemplo, é: “Contribuir para o sucesso de pessoas e organizações através do conhecimento.”

Leva uns 20 minutos, com papel e caneta. Se a sua frase apontar para pessoas, você vai entender melhor por que tanta gente te procura. Se apontar para outro lugar, também vale: você vai saber para onde levar a sua experiência.

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